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RODAS DE LEITURA 2013

em 2 de setembro de 2013

Para ver todos os vídeos, siga o link abaixo:

http://www.youtube.com/channel/UCw3ai-Q_xw1Vm-S3phqIXhQ/videos

http://www.youtube.com/watch?v=IXfeKb-VyjQ

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Durante as rodas de leitura desse ano revisaremos as características dos contos e crônicas. Os elementos das narrativas. Conheceremos a biografia de alguns autores. Leremos algumas obras. E também tiraremos fotos e faremos os tradicionais vídeos.

Ufa!!! Quanto aprendizado!!!

Abaixo postarei os links para as biografias e os textos selecionados para leitura compartilhada. Como também a revisão sobre os gêneros crônica e conto e os elementos das narrativas.

Divirtam-se!!!

“RICK E A GIRAFA”

Rick se preocupava com a escada que precisava galgar para alcançar o mundo dos sonhos. Não precisava de escada. Ele já estava lá. No Jardim Zoológico, neste domingo azul, a girafa olha do alto para as crianças, e parece convidá-las a um passeio no dorso. Há uma escada perto, e se for encostada ao animal, Ricardo (Rick é o seu apelido) poderá chegar até lá. O garoto mede a distância que vai do chão ao lombo, e julga-se em condições de vencê-la. Uma vez lá em cima, cavalgando o pescoço, e segurando-lhe os chifres, pedirá à girafa, depois de umas voltas pelo Jardim, que o leve por aí, percorrendo o mundo. Presa há tanto tempo, a girafa há de estar ansiosa de liberdade. Não será difícil transpor a cerca. Ela espera que Rick lhe proponha a aventura. Ninguém se atreveria a travar-lhe os passos. E Rick vai dirigi-la nos rumos que aprendeu no atlas escolar. O problema é descer de vez em quando, para Rick alimentar-se de biscoitos, fazer necessidades e dormir. Camarada, a girafa irá se deitando aos poucos, primeiro dobrando devagar as pernas, depois se inclinando lentamente para o lado, e afinal arriando com suavidade a carga infantil. Mas para subir outra vez, como se arranjaria ele? Escada não haverá. Mesmo deitada, a girafa é difícil de subir. A imaginação não lhe fornece recurso plausível. O sonho frustou-se. Rick levanta o braço direito e, com a mão espalmada em gesto de adeus à girafa que gentilmente o convidara, esclarece: — Muito obrigado! Fica para outra ocasião, quando eu crescer.

Carlos Drummond de Andrade. Editora: Ática | Série/Coleção: Para Gostar de Ler Júnior 3

Infância

Carlos Drummond de Andrade

 

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo. Minha mãe ficava sentada cosendo. Meu irmão pequeno dormia. Eu sozinho menino entre mangueiras lia a história de Robinson Crusoé, comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu chamava para o café. Café preto que nem a preta velha café gostoso café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo olhando para mim: – Psiu… Não acorde o menino. Para o berço onde pousou um mosquito. E dava um suspiro… que fundo!

Lá longe meu pai campeava no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

Andrade, Carlos Drummond de. Antologia Poética. Rio de Janeiro: Record, 2010.

GRAVATA COM G

O que o Gilson me pediu que trouxesse de Nova York era realmente uma coisa à toa: uma gravata. Só que não se tratava de uma gravata qualquer: era um modelo com uma letrinha bordada. No caso um G, é lógico. Tinha visto um anúncio na revista Playboy, e como eu caí na asneira de contar para ele que ia a Nova York, me passou o recorte: podia ser de qualquer cor, contando que tivesse a inicial dele. Era um voo especial, íamos ficar só de sábado a terça-feira. Sábado não deu tempo de pensar em gravata nem em coisa nenhuma, chegamos muito cansados. No domingo, passeando pelo centro da cidade, bem que eu vi a tal gravata em mais de uma vitrine, aqui e ali, em diversas cores, e com letras, o alfabeto inteiro, era coisa barata, apenas um dólar. Só que domingo o comércio estava fechado. Na segunda-feira houve um almoço que se prolongou pela tarde inteira. Depois um coquetel que entrou pela noite. Quando dei por mim já era terça de manhã, eu numa ressaca dos diabos, hora do embarque, o ônibus à espera na porta do hotel para nos levar ao aeroporto. Só então me lembrei: a gravata. O ônibus não podia esperar. Eu disse para o pessoal: vocês vão indo que eu vou de táxi. E saí à procura de uma loja ali por perto do próprio hotel, onde tinha visto a gravata. Não encontrei. Estiquei a caminhada pela rua abaixo, um, dois, três quarteirões, e nada. Voltei ao hotel, meio aflito, apanhei a mala, tomei um táxi, mandei que tocasse para a Broadway. Ali, não tinha dúvida, vira o raio da gravata em várias lojas. A cada uma que passava eu dizia ao motorista que parasse e olhava da janela mesmo: havia tudo quanto era tipo de gravata nas vitrines, menos a que eu procurava. A certa altura tive a impressão de que naquela loja havia uma, resolvi conferir. O motorista se recusou a esperar, era proibido estacionar ali. Prometi pagar a corrida em dobro, e saltei correndo. Não fosse eu perder o avião por causa daquela maldita gravata. Encontrei. Logo na entrada da loja, e com várias letras, inclusive G. De diversas cores, à minha escolha. Mas o vendedor me atendia com insuportável lentidão, eu não podia mais de ansiedade, estava em cima da hora. Quando vi que a menor nota que eu tinha era de dez dólares, para não esperar o troco agarrei dez gravatas de várias cores com a letra G e saí correndo com a sacola de papel. Na rua parei estatelado: o taxia havia sumido. Mais essa agora – com minha mala e tudo! Eu ia perder o avião. Fui andando desorientado até a esquina, minha esperança renasceu: lá estava ele, à minha espera na outra rua. Depressa, para o aeroporto! E respirei, aliviado: o Gilson ia ter gravata com letra G para usar o resto da vida. Quando cheguei ao aeroporto, foi o tempo de pagar o táxi (em dobro), e sair esbaforido com a mala sem pensar em carregador. Entrei no avião sob o olhar de censura de todos, já sentadinhos, de cinto colocado, prontos para levantar voo. – Pelo menos espero que você tenha encontrado a tal gravata – comentou o que estava a meu lado. – Encontrei – respondi, triunfante. Depois de me ajeitar na poltrona, procurei a sacola das gravatas para mostrá-las.  Haviam ficado no táxi.

SABINO, Fernando. Cara ou coroa?– antologia. Editora Ática, São Paulo, 2001.

Um Pé de Milho

Rubem Braga

Os americanos, através do radar, entraram em contato com a Lua, o que não deixa de ser emocionante. Mas o fato mais importante da semana aconteceu com o meu pé de milho. Aconteceu que, no meu quintal, em um monte de terra trazida pelo jardineiro, nasceu alguma coisa que podia ser um pé de capim – mas descobri que era um pé de milho. Transplantei-o para o exíguo canteiro da casa. Secaram as pequenas folhas; pensei que fosse morrer. Mas ele reagiu. Quando estava do tamanho de um palmo, veio um amigo e declarou desdenhosamente que aquilo era capim. Quando estava com dois palmos, veio um outro amigo e afirmou que era cana. Sou um ignorante, um pobre homem da cidade. Mas eu tinha razão. Ele cresceu, está com dois metros, lança suas folhas além do muro e é um esplêndido pé de milho. Já viu o leitor um pé de milho? Eu nunca tinha visto. Tinha visto centenas de milharais – mas é diferente. Um pé de milho sozinho, em um canteiro espremido, junto do portão, numa esquina de rua – não é um número numa lavoura, é um ser vivo e independente. Suas raízes roxas se agarram no chão e suas folhas longas e verdes nunca estão imóveis. Detesto comparações surrealistas – mas na lógica de seu crescimento, tal como vi numa noite de luar, o pé de milho parecia um cavalo empinado, de crinas ao vento e em outra madrugada, parecia um galo cantando. Anteontem aconteceu o que era inevitável, mas que nos encantou como se fosse inesperado: meu pé de milho pendoou. Há muitas flores lindas no mundo, e a flor de milho não será a mais linda. Mas aquele pendão firme, vertical, beijado pelo vento do mar, veio enriquecer nosso canteirinho vulgar com uma força e uma alegria que me fazem bem. É alguma coisa que se afirma com ímpeto e certeza. Meu pé de milho é um belo gesto da terra. Eu não sou mais um medíocre homem que vive atrás de uma chata máquina de escrever: sou um rico lavrador da rua Júlio de Castilhos.

BRAGA, Rubem. 200 crônicas escolhidas. Rio de Janeiro: Record, 2008.

Negócio de menino

                                          Rubem Braga

Tem dez anos, é filho de um amigo, e nos encontramos na praia: — Papai me disse que o senhor tem muito passarinho… — Só tenho três. — Tem coleira? — Tenho um coleirinha. — Virado? — Virado. — Muito velho? — Virado há um ano. — Canta? — Uma beleza. — Manso? — Canta no dedo. — O senhor vende? — Vendo. — Quanto? — Dez contos. Pausa. Depois volta: — Só tem coleira? — Tenho um melro e um curió. — É melro mesmo ou é vira? — É quase do tamanho de uma graúna. — Deixa coçar a cabeça? — Claro. Come na mão… — E o curió? — É muito bom curió. — Por quanto o senhor vende? — Dez contos. Pausa. — Deixa mais barato… — Para você, seis contos. — Com a gaiola? — Sem a gaiola. Pausa. — E o melro? — O melro eu não vendo. — Como se chama? — Brigitte. — Uai, é fêmea? — Não. Foi a empregada que botou nome. Quando ela fala com ele, ele se arrepia todo, fica todo despenteado, então ela diz que é Brigitte. Pausa. — O coleira o senhor também deixa por seis contos? — Deixo por oito contos. — Com a gaiola? — Sem a gaiola. Longa pausa. Hesitação. A irmãzinha o chama de dentro dágua. E, antes de sair correndo, propõe, sem me encarar: — O senhor não me dá um passarinho de presente, não?

BRAGA, Rubem. Os Melhores contos. São Paulo: Global, 1998.


3 respostas para “RODAS DE LEITURA 2013

  1. Paola Guedes disse:

    Amo crônicas, as primeiras que li foi no livro ” Rick e a Girafa”. Mãe continue assim seu WordPress é Ótimo.

  2. Elizabeth ketellyn disse:

    Prof cade eu e a mekaline ai

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